

Um movimento surgido na segunda metade da década de 60, que mesclava música, comportamento e moda.
Essa é uma das muitas histórias que acontecem comigo/ Primeiro foi Susi, quando eu tinha a lambreta/ Depois comprei um carro, e parei na contramão/ Tudo isso sem contar o tremendo tapa que eu levei/ Com a história do Splish-Splash/ Mas essa história também é interessante...
Ele começa falando de sua história... Contar histórias foi e ainda é o grande constante nas músicas do rei, sejam dele ou não. Susi foi a primeira música de autoria só do Roberto a ser gravada...
Parei Na Contramão, seu primeiro sucesso no Rio de Janeiro. Splish-Splash se segundo sucesso no Rio. Mas já vai começar a nova história
Mandei meu Cadilac pro mecânico outro dia/ Pois há muito tempo um conserto ele pedia/ E como vou viver sem um carango pra correr/ Meu Cadilac bip bip/ Quero consertar meu Cadilac
É um jovem da classe média, que tem seu carrão americano, símbolo de status para com as garotas sair. Mas com o carro com um defeitinho aqui e outro ali não dá pra sair. Mas ai ele tem uma pequena (pequena mesmo) crise de consciência... 'Mas com que carro eu vou andar bicho?' Mas ele sabe que o Cadilac ele precisa consertar...
O moço da oficina tem um opção que não é muito agradável... 'Poxa um carro velho!?' Até hoje existe um certo preconceito com modelos mais históricos, como o Fusca por exemplo. Mas ele percebe que não tem jeito... E vai de Calhambeque mesmo.
Saí da oficina um pouquinho desolado/ Confesso que estava até um pouco envergonhado/ Olhando para o lado com a cara de malvado/ O Calhambeque bip bip/ Buzinei assim o CalhambequeEle ficou meio tenso... 'Pô pessoal vai rir de mim com esse Calhambeque'. Mas mesmo no carrinho quis se mostrar superior, e olhou com sua cara de mau... E buzinou o Calhambeque
E logo uma garota fez sinal para eu parar/ E no meu Calhambeque fez questão de passear/ Não sei o que pensei, mas eu não acreditei/ Que o Calhambeque bip
bip /O broto quis andar no Calhambeque.
Mas... As coisas estavam acontecendo diferentemente do que ele pensou... O Broto adorou o Calhambeque... Carrinho diferente que não se vê sempre nas ruas... Charmoso por natureza... Mas ele não acreditou... Afinal o q tinha aquele carro? Por que o broto quis andar no Calhambeque?
Estão todas as garotas achando um máximo esse carango... E ele vai adorando estar fazendo tanto sucesso com o carro... Começa a pegar afetividade... Imagino que o dirige com um largo sorriso no rosto... 'É melhor cuidar bem do Calhambeque.
Mas o Cadillac finalmente ficou pronto/ Lavado, consertado, bem pintado, um encanto/ Mas o meu coração na hora exata de trocar, bip, bip/ O Calhambeque bip bip/ Meu coração ficou com o Calhambeque.
O 'Avião' tá pronto... está como novo... Mas... Ele acabou gostando tanto do Calhambeque, que não vai saber ficar sem ele... Ele vai ficar com o Calhambeque... E 39 anos depois soubemos que ele ainda está com os 2: 'O Cadillac ao lado do meu Calhambeque'
Depois de uma ótima história como essa ele parece adiantar as próximas... As histórias com os brotos, que Roberto e Erasmo iriam falar anos depois em músicas como Proposta e Seu Corpo. Até os dias de hoje o Calhambeque se mantém no imaginário de adultos, jovens e crianças... Muito por causa do charme do pequeno carango. Mas talvez muito mais por causa dessa história que Erasmo escreveu, e Roberto, eternizou cantando. 'As garotas só saem por causa desse calhambeque sabe?'...
NA década de 1960,Vários países ocidentais deram uma guinada à esquerda no início da década, com a vitória de John F. Kennedy nas eleições de 1960 nos EUA, da coalizão de centro-esquerda na Itália em 1963 e dos trabalhistas no Reino Unido em 1964. No Brasil, João Goulart virou o primeiro presidente trabalhista com a renúncia de Jânio Quadros.
A década de 60 representou, no início, a realização de projetos culturais e ideológicos alternativos lançados na década de 50. Os anos 50 foram marcados por uma crise no moralismo rígido da sociedade, expressão remanescente do Sonho Americano que não conseguia mais empolgar a juventude do planeta. A segunda metade dos anos 50 já prenunciava os anos 60: a literatura beat de Jack Kerouac, o rock de garagem à margem dos grandes astros do rock (e que resultaria na surf music) e os movimentos de cinema e de teatro de vanguarda, inclusive no Brasil.
Podemos dizer que a década de 60, seguramente, não foi uma, foram duas décadas. A primeira, de
Nesta época teve início uma grande revolução comportamental como o surgimento do feminismo e os movimentos civis em favor dos negros e homossexuais. O Papa João XXIII abre o Concílio Vaticano II e revoluciona a Igreja Católica. Surgem movimentos de comportamento como os hippies, com seus protestos contrários à Guerra Fria e à Guerra do Vietnã e o racionalismo. Esse movimento foi também a chamado de contracultura. Ocorre também a Revolução Cubana na América Latina, levando Fidel Castro ao poder. Tem início também a descolonização da África e do Caribe, com a gradual independência das antigas colônias.
É com profundo pesar que escrevo para demonstrar minha indignação e revolta com a "matéria" (sic), do senhor Hugo Sukman, sobre um programa e disco comemorativos da Jovem Guarda, publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo, em 12/4/2005. Ele abre a matéria afirmando que "a Jovem Guarda inexiste na história brasileira". Ele e muitos outros "jornalistas" e "escritores" vivem a denegrir o maior movimento musical, comportamental e jovem do Brasil, idolatrado pelas camadas A, B, C, D, E e todas as letras do alfabeto. Até mesmo pelas "elites bem pensantes", como ele preconceituosamente colocou, relegando às "massas humildes e incultas" o amor pela música jovem. Como biógrafo da Jovem Guarda, autor do "almanaque" 'No Embalo da Jovem Guarda', nascido em um subúrbio do Rio de Janeiro, atesto que ainda existe um preconceito enorme, por parte da pretensa "elite cultural", contra os músicos e a música da Jovem Guarda. Até mesmo este jornal teve preconceito, pois foi o único jornal em todo o Brasil que ignorou o lançamento de meu livro, que contextualizou a Jovem Guarda na História Brasileira. Comparar o programa Jovem Guarda ao Domingão do Faustão foi outra idéia infeliz. O que se tornou um programa de televisão em 22 de agosto de 1965, durando até maio-junho de 1968, foi um movimento musical jovem, iniciado em 1957-1958, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. O sucesso dos "garotos de subúrbio", "sem cultura musical", "sem berço", "sem técnica", e tudo mais que provocava a inveja e desprezo de uma minoria intelectualizada e preconceituosa, era (e pelo visto ainda é) inaceitável. Como estes "suburbanos pobres" estão nas capas de todas as revistas, nas TVs, vendendo milhares de compactos, compactos duplos e LPs, fazendo sucesso com todas as meninas e mulheres? Os nomes podem ser talento, carisma, competência, etc. O rock chegou ao Brasil em 1957, com versões nacionais de sucessos americanos, culminando com a apresentação de Bill Halley e seus Cometas no Rio e em São Paulo, em 1958, com Roberto Carlos fazendo o número de abertura no Maracanãzinho. Depois vieram os Beatles e viraram o mundo (e o Brasil) de cabeça para baixo. O desconhecimento por parte de nossos "jornalistas" e "escritores" levam a erros de datas e informações, permitindo que revistas musicais estrangeiras perpetuem o preconceito contra a Jovem Guarda na Europa e nos Estados Unidos. Discutir gosto musical é o mesmo que discutir futebol: cada um tem a sua predileção. Isto chama-se DEMOCRACIA. Se gostar da Jovem Guarda é proibido, pois a Jovem Guarda nunca cantou músicas de protesto, nunca se engajou neste ou naquele movimento, isto nos levará ao momento social que o Brasil vivia nos anos 60. Apenas uma ínfima parcela da população alcançava as faculdades e assim faria parte da "elite pensante e engajada". Ao invés de culpar a Jovem Guarda pela inocência e romantismo de seus membros, a "alienação" dos jovens que os cultuavam, a carência de amor e alegria de todo o povo, culpem os governantes da época. Faça uma matéria desta contra ministros e secretários de educação dos anos 60, contra as políticas sociais da época, etc. Mas não vai vender, não é senhor Sukman? O que vende é Jovem Guarda! O que se cobra da Jovem Guarda eram canções de protesto, de luta, de crítica? É triste constatar que em muitas faculdades de comunicação os professores ensinam aos seus alunos o desprezo e o preconceito contra a Jovem Guarda nos dias de hoje! Então temos que criticar todo o povo que queria ouvir canções de amor, de carinho. De uma maneira, a Jovem Guarda suavizou as coisas para a juventude e até mesmo seus pais. Se os jovens artistas que povoaram as paradas de sucesso, as revistas, os jornais, as TVs e os corações de toda uma geração não tivessem talento, não estariam dirigindo os setores artísticos das principais gravadoras do Brasil, produzindo música brasileira (rock, mpb, sertaneja, axé, etc). Além disso, a Jovem Guarda foi a primeira manifestação jovem com instrumentos, roupas, gírias e comportamento próprios. Se o senhor vai dizer que tudo foi importado, nada foi original, assim também foi com todos os movimentos musicais que o citou. Nosso país tem apenas 505 anos. Importamos as culturas de todos os povos que formaram a nossa população. E assim criamos nossa identidade, nossa realidade. Este tipo de cobrança, de coerência, poderiam então ser feitas a grupos atuais que, num momento são altamente engajados e atuantes, e num outro cantam em propagandas de refrigentes que lavam os estômagos e as mentes da garotada. E o seu preconceito vai ao ponto de dizer que "a Jovem Guarda só originou a moderna música brega brasileira" e que "Sérgio Reis mantêm-se no espírito original da Jovem Guarda". Senhor Sukman, voltamos então aos tempos de "Jovem Guarda: odeie-a ou ignore-a"? Que coisa democrática, não? O aeroporto está logo ali. Pode ir embora. * Ricardo Pugialli é autor do livro 'No Embalo da Jovem Guarda'. | |||||||||||||||

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um ídolo da juventude, antes mesmo dos novos heróis cabeludos ingleses, por conta de hits como ‘Splish Splash’ (1963), ‘Párei na Contra Mão’ (1963), ‘É Proibido Fumar’ (1964) e ‘O Calhambeque’ (1964). Por outro lado, milhares de jovens, migrantes como Roberto Carlos, corriam para os grandes centros urbanos, na trilha da industrialização, em busca de emprego, ascensão social e de espaço na sociedade moderna. | ||||